sexta-feira, 28 de maio de 2010

It's a beautiful day

A praia está deserta.
O cinzento cobre o céu, num ameaço de chuva.
O mar, despreocupado, vai trazendo a espuma até a areia,
apagando o rasto das memórias que por aqui se têm deitado.
A Alannis Morrisette lá se vai entretendo a cantar histórias
que se perdem no quebrar das ondas.
Faço de toda esta extensão de vento livre
o adoçante do café que saboreio lentamente.
A atmosfera é perfeita e começo a imaginar-te:
slow-motion, abrindo a água, cabelos soltos,
sorris para o céu de olhos fechados.
Como é perfeito o teu corpo!
Até o sol espreita, por instantes, cobrindo-o de brilho,
realçando formas redondas, que despontam como se a luz te excitasse.
Engulo em seco, peço um compal - light, pois claro -
e bebo-te demoradamente, deixo que percorras todo o meu corpo.
Mas quero sentir-te ainda mais perto; então, sigo-te os movimentos,
cerro os olhos, inclino-me para trás e... zás, cá estás. (Simples, não?)
Pedes-me um cigarro, acedo prontamente.
Acendo-te, quero-te em brasa - já que não há sol, que me aqueças tu.
Envio-te o meu olhar fatal... bem... pelo menos resulta,
já que, num estalar de dedos, rebolamos pela areia,
humedecida por aromas e segredos desvendados.
Os teus lábios mordem-me a orelha e murmuram:
"são trezentos escudos"... "trezentos escudos, por favor".
Trezentos escudos?! Essa agora?! Abro os olhos
(é a empregada da esplanada e, ao que parece, terminou o turno).
Nem sei se me zangue ou se me renda de novo ao seu encanto...
Enfim, pago. E, enquanto me despeço da praia deserta,
vou ouvindo a música que fica para trás:
"It's a beautiful day" - diz o Bono.
Sorrio.


ps - Trezentos escudos? Já lá vão uns anitos...

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