sexta-feira, 29 de outubro de 2010

De la musique - Silversun Pickups



Tema: Lazy Eye
Intérprete: Silversun Pickups
Álbum: Carnavas (2006)

Preguiça

Ou desmotivação?

Bom dia

Eu e a minha língua comprida... Incumbiram-me da missão de escrever sobre a preguiça, só porque alegadamente fiz uma referência indirecta à dita cuja. Vou tentar resumir... Mas agora não. Estou com preguiça.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

De la musique - Jazzanova


Tema: Coffee Talk [Yukihiro Fukutomi Remix]
Intérprete: Jazzanova
Álbum: Singles Collection 1997-2000 (2003)

O poema que diz tudo

Tudo.

Bom dia

Já que estamos numa de resumir...

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

De la musique - Maria Taylor


Tema: Xanax
Intérprete: Maria Taylor
Álbum: 11:11 (2005)

Medo

De sofrer.

Bom dia

O primeiro (e único relevante) passo para vencer o medo é vencer o medo. Falar (neste caso, escrever) é fácil.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

De la musique - Sleater-Kinney


Tema: Jumpers
Intérprete: Sleater-Kinney
Álbum: The Woods (2005)

Ensina-me a voar

Eis o voo dos simples,
a sua plumagem de brisa,
o seu pousar nas manhãs.
Vêm beber das cascatas,
vêm cantar-nos a infância.
Ei-los no topo dos ramos,
a debicarem o céu.
(Bem melhor do que este chão
violado, suicida, mutilado,
rouco, rouco, rouco, rouco,
que compramos nos quiosques.)
Um pássaro pálido lança-me o seu olhar
pleno de desnorte.
Então e eu? Olha aqui eu! - reclama.
Tu, meu amigo, voa enquanto podes
para bem longe deste (estado de) sítio.
Rasgo o jornal, e chove,
chove sangue e violetas.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

De la musique - 4hero


Tema: Star Chasers
Intérprete: 4hero
Álbum: Two Pages (1998)

O tediokiller diz que também quer. Pega lá, pá...


Tema: Parallel Universe
Intérprete: 4hero
Álbum: Parallel Universe (1995)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Quando for grande quero ser pequeno

Às vezes, dou comigo a perseguir estrelas com os olhos de um miúdo que queria ser astronauta quando fosse grande. Nessa altura, era tudo mais fácil: saíamos em missão intergaláctica, a bordo de uma vistosa Águia do Espaço 1999, explorávamos o território alienígena e regressávamos para os braços de uma Helena pronta socorrer-nos, na secção médica da Base Lunar Alfa, caso alguma coisa corresse mal.

Agora, entramos em território que julgamos conhecer, ao volante de um Opel Astra, em segunda mão, e arriscamo-nos a voltar, a pé e sem dinheiro, para um rés-do-chão alugado, onde a coisa mais parecida com o céu que encontramos é a Celeste, que nos dá cabo da cabeça por não termos avisado que íamos chegar mais tarde.

Que saudades do tempo em que eu sonhava ser astronauta quando fosse grande!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

De la musique - Fila Brazillia

Um zê e dois eles para o vosso fim-de-semana. Oferta da casa. Aproveitem.


Tema: A Zed and Two L's
Intérprete: Fila Brazillia
Álbum: Maim That Tune (1995)

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Consultório

A coisa começou aqui. Depois descambou desta forma infame:

- Nome?
- Tediokiller.
- Tedioquê?
- Isso. Com um k.
- Bem... Profissão?
- Doutor engenheiro arquitecto, gigolô nas horas vagas.
- Sei... E o que faz uma pessoa tão multifacetada no nosso consultório?
- Estou maldisposto.
- Que tipo de indisposição?
- É uma longa história.
- Então o melhor é começar a contá-la já.
- Hoje acordei atrasado porque o despertador não tocou.
- Sim, e depois?
- Depois ia tomar banho e não havia água.
- Que chatice...
- Pois. A seguir ia fazer o pequeno-almoço e não havia luz.
- Não me diga...
- Digo.
- Olhe, o melhor é contar tudo ao médico. Dê-me só a sua morada, por favor.
- Debaixo.
- Debaixo?! Debaixo de quê?
- Da parte de cima.
- Mau... E onde é que isso fica?
- Por cima da parte de baixo.
- Ó homem, dê-me o nome da rua e número da porta!
- Estou confuso.
- É assim tão difícil?!
- Bem... É que um dia destes eu recebi uma carta para um tal de Idalécio Bonifácio que mora na Rua de Cima.
- E é essa a sua morada?
- Não, eu moro em baixo.
- (Ai... Não tarda muito e quem precisa de consulta sou eu...) Olhe, são 50 euros, por favor.
- Sabe, é que...
- O que foi agora?
- No meio desta confusão, não sei onde pus a carteira. Talvez tenha ficado lá em cima.
- Então não era lá em baixo?
- Foi o que eu pensei. Mas não. Se calhar o carteiro tinha razão.
- Olhe...
- Siiiiim?
- Por obséquio...
- Faça o favor de dizer.
- Sem querer incomodar e com cerejas em cima...
- Baixo.
- ##@$%#@#!!!
- De nada. Precisava de um despertador assim para levar para cima.
(...)
- Ó Idalete, manda entrar o próximo doente.
- Ela saiu agorinha mesmo. Disse para os doentes irem para... para...
- Para onde?!
- Não me lembro.
- Então e agora?
- Agora sou eu o próximo.

Bom dia

Interrompemos a programação habitual para escrever sobre alguma coisa. É verdade. Mas só mais logo. Agora tenho de ir ali ter um particular à parte com uma francesinha. Bem apetitosa, por sinal.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Um homem não chora (mas amua)

Por vezes, tenho esta tarefa ingrata: escrever sobre nada, de forma a parecer que escrevo sobre alguma coisa. Então, jogo com as palavras. Pego, por inesperado exemplo, em «repetir» e retiro-lhe uma letra: vamos chamar-lhe r (o imprevisto). E lá vou eu, todo contente, com o imprevisto debaixo do braço, para uma longínqua aula de francês em que tudo o que o petit tinha de saber era pronunciar correctamente fromage. Era de queijo que falávamos, à espera do pão do recreio, nada preocupados com o tempo que iria demorar até que o inglês nos ensinasse que, afinal, from age dizia respeito à idade. Foi nessa altura que percebi que já não era um petiz, mas antes alguém prestes a descobrir que o coração era algo que se incendiava facilmente, bastando-lhe para isso um sorriso de rapariga. As partidas que a vida nos prega: passamos tanto tempo a tentar apagar fogos e, de um momento para o outro, vemo-nos incapazes de gerar a mais ténue centelha.

Vá, deixa-te de lamúrias. És um homem, agora. E um homem não chora. O homem joga com as palavras.

Vamos lá, então. A rapariga sorria, e o rapaz respondia de coração pronto e corpo afogueado. Na altura, não havia lições de educação sexual - tínhamos de nos contentar com religião e moral. O sexo era-nos servido à queima-roupa. Às vezes corria bem, outras nem por isso. No meu caso, correu como um doido, à procura de um tal de juizinho de quem tantas vezes me falaram. Acabei por encontrá-lo, inevitavelmente, entre fotografias queimadas e os destroços de um coração adulto. Mas um homem não chora. O homem tem juízo. O homem escreve sobre nada, mantém as aparências e vive coisa nenhuma.

Não me apetece jogar mais com as palavras.

domingo, 10 de outubro de 2010

De la musique - Silent Poets


Tema: Break In The Circle
Intérprete: Silent Poets
Álbum: Words And Silence (1994)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Hoje não me vou repetir

Hoje não vou repetir que te perdi de vista numa rua impercorrível. Até porque a palavra não existe. O que é uma chatice, pois não vou poder falar dos momentos em que impercorri o teu corpo, julgando ter-te para sempre. Também não me apetece procurar agora o r que falta no fim da palavra amor e que me impede de viver por inteiro. Os rr fazem falta, sabes? Gostava de voar, mas falta-me o r. Gostava de pousar, mas tudo o que consigo é ouvir uma voz abstracta - que, sem r, mais parece uma batata - a mandar-me circular. Já experimentaste circular sem r? Não é nada fácil. E, como é ilógico e inevidente, isso chateia-me. Até porque era suposto eu agora desatar para aqui a dizer que estou perdido entre o princípio e o fim de algo que não consigo decifrar. Mas para isso precisava de um monte de rr. Além disso, ia estar a repetir-me. E como não é possível repetir sem r, hoje não me vou repetir. Mas gostava ao menos de saber o que fazer com as letras que sobram.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

De la musique - St. Vincent

Porque o prometido é devido, os St. Vicent passaram pelo desabrigo e brindaram-nos com esta música magnífica. Espero que apreciem (pelo menos) tanto como eu.



Tema: Just the Same But Brand New
Intérprete: St. Vicent
Álbum: Actor (2009)

Recomeçar de novo

Voltar a escrever-te não é fácil. Podias ao menos ter-me deixado uma daquelas frases que se guardam com ilusão: «vou, mas levo-te dentro de mim», «jamais te esquecerei» ou «foste o homem da minha vida». O que, na verdade, seria irrelevante, uma vez que partirias na mesma.

Sim, mais valia teres ficado em silêncio. Encheríamos as malas com as nossas desilusões, levá-las-íamos até à estação de comboio e despedir-nos-íamos delas com um longo e sentido adeus. Depois, regressaríamos a casa de mãos atadas e com um sorriso aliviado. Deitar-nos-íamos para sonhar o mesmo sonho, aquele sonho ingénuo e feliz que nos fez encostar os lábios pela primeira vez. E acordaríamos, no dia seguinte, como se a vida tivesse acabado de nos abraçar. Claro que, para isso, era necessário que não tivesses partido e que eu tivesse feito a minha parte para não te deixar ir. O que, nesta altura, é irrelevante, uma vez que aconteceu precisamente o oposto.

Sim, é melhor assim: sem ilusões e com a vida cheia de lições. Vou apaixonar-me de forma redobrada e fazer tudo de novo. Perfeitamente. Vou começar amanhã, às oito em ponto, logo ao virar da esquina. Estarás lá de braços abertos. E de malas vazias.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

De la musique - dZihan & Kamien


Tema: Basmati
Intérprete: dZihan & Kamien
Álbum: Gran Riserva (2002)