quinta-feira, 21 de junho de 2012

Recordar, viver

«O coração tem uma morte lenta, perdendo as esperanças uma a uma, como folhas. Até que, um dia, não resta nenhuma. Nenhuma esperança. Não resta nada.»
Memórias de uma Gueixa


Sempre ouvi dizer que recordar é viver. Permitam-me, respeitosamente, discordar. Sempre que eu recordo, sinto-me mais velho. Com a agravante de me começar a faltar a maquilhagem - metaforicamente falando (claro!) - necessária para disfarçar os factos.

Se a vida fosse uma produção de Hollywood, na qual uma chinesa se transforma em japonesa que busca um oriental sonho americano, talvez houvesse, algures, no trilho da desesperança, uma esposa do cair da noite, uma memória de gueixa, pronta a oferecer-me um, ou, vá lá, meio final feliz. Já não era mau.

Infelizmente, a vida não é um filme. E não é gueixa, é mesmo puta.

Sem comentários: