quarta-feira, 14 de novembro de 2012

De la musique - The Doors


Tema: When the Music's Over
Intérprete: The Doors
Álbum: Strange Days (1967)

terça-feira, 25 de setembro de 2012

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sábado, 22 de setembro de 2012

Lição de geografia

Um turista invade os dez minutos místicos que todas as manhãs eu partilho religiosamente com um café e um cigarro. Reclama um aeroqualquercoisa que eu não consigo decifrar. Aeroporto? - questiono. Aerolines! Espanha! Espanha! - gesticula, de olhos esbugalhados. Pronto, não me batas, não faço ideia de onde isso fica, mas, olha, vai em frente, coragem! E bebe menos café, que isso faz-te mal. E o homem lá vai a chamar pela pátria, apontando para uma Espanha que ansiosamente o espera, entre a Casa da Música e a tasca do Reis. É bom ter alguém ou alguma coisa que nos espere tão ardentemente (e o lugar indicado até tem o seu encanto). A mim espera-me a tarefa nada mística no fim dos meus dez minutos místicos, que já não são dez, são dois, por culpa de alguém que achou que o caminho para casa passava por aqui. O infeliz continua a esbracejar como se não houvesse amanhã. Um minuto, diz o transeunte ocupado. Tem razão, já nem um cigarro podemos fumar descansados neste minuto apressado que é a vida. O tempo voa, o espanhol não: caminha pela incerteza da estrada, rumo a uma Espanha idealizada, ali para os lados da Foz. Foi-se o tempo e a mística, fica a fotografia intemporal - conseguem imaginar um final mais feliz? - e a lição de geografia.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

De la musique - Wye Oak

Por falar em férias...


Praia, durante o dia.


Música, pela noite dentro.

Temas: Holy Holy; Hot as Day
Intérprete: Wye Oak
Álbum: Civilian (2011)

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Mão-de-obra barata


Por falar em poupanças, para todos aqueles que diariamente são obrigados a fechar as suas empresas, têm aqui uma boa possibilidade de encontrar mão-de-obra barata. Consta que os gatos estão no desemprego, tão potente e letal é o seu concorrente. Portanto, já sabe, duas doses de Whiskas por dia e os seus problemas de despesas com salários ficam resolvidos! Com um bocado de sorte, e uma vez que parece que o veneno não mata só ratos, pode ser que os desempregados (não são os gatos, são os outros, os que só servem para aumentar a despesa da sua empresa) que, com a nova lei do arrendamento, vão ter de morar debaixo da ponte, aproveitem para afogar a miséria e o governo anuncie uma diminuição do desemprego ainda este ano. Todos lucram. Menos os ratos, claro. Mas esses andavam aí sem fazer nada e a receber RSI, portanto, não se perde grande coisa. Pelo contrário, é menos despesa para a Segurança Social. Como vêem, ainda há esperança para este batatal a que chamam Portugal (pronto, tinhas de estragar tudo com uma rima).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poupe dinheiro nas férias

imagem: Zhao Huasen

Numa altura em que os bolsos dos portugueses estão cada vez mais cheios de buracos e vazios de dinheiro, até a bicicleta, que ainda há bem pouco tempo era considerada um meio de transporte económico, se pode transformar num acessório de luxo. Se for esse o seu caso, tem aqui a alternativa ideal: precisa apenas de sol, a sombra faz o resto. Boas férias.

sábado, 14 de julho de 2012

De la musique - Tame Impala

Para quem ainda tem todo o tempo do mundo (ou mandou uma daquelas coisas que fazem com que o tempo passe exactamente da mesma forma, embora não pareça).


Tema: Bold Arrow of Time
Intérprete: Tame Impala
Álbum: Innerspeaker (2010)
Ouço-os,
no surrar do vento,
quando as janelas se fecham,
os passos que se vão.

Vejo-os,
no baço do vidro de aço,
os braços que, presos,
os perseguem.

Chamo-os,
no fogo dos trovões,
no desfile do troar,
os olhos de sangue rubro;

e grito!...
espasmos mudos
no ar que me devora,
sem que fale...

(e ficou algo por dizer...)

Sim,

sinto
- pressinto -
a presença da ausência,
no cheiro
da vela queimada,
sem chama...

e chamo,
clamo!
tardiamente reclamo...

O tempo.

Bom dia

Isto (aqui em cima) dizia eu há 10 anos. Agora não clamo, não reclamo, faço menos trocadilhos e evito pontos de exclamação, sobretudo depois do que não precisa de ser exclamado para ser ouvido (neste caso, lido). Aceito que o tempo já era. Ou melhor, foi. Sem suspense. Adiante.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Ainda a propósito de memória

Estive a rever o Blade Runner. Há uma parte do filme, em que Roy (Rutger Hauer), um dos replicantes a ser abatido, abdica da sua vingança para que Rick (Harrison Ford), blade runner encarregado de o «afastar», perceba o significado de medo, o medo de quem julga que vai morrer a seguir. Rick foi salvo, in extremis, por Roy. A Roy já nada nem ninguém podia valer, o seu prazo de validade havia chegado ao fim. Estas foram as suas últimas palavras:

«I've seen things you people wouldn't believe. Attack ships on fire off the shoulder of Orion. I've watched C-beams glitter in the dark near the Tannhauser Gate. All those moments will be lost in time, like tears in rain. Time to die.»

A memória é uma via indispensável para nossa identidade. Sem memória, a nossa existência, pura e simplesmente, apagar-se-ia. Regra geral, isso acontece aquando da nossa morte. Às vezes, acontece antes.

Quando recordamos um determinado momento, estamos, de certa forma, a revivê-lo. Mas, a partir de uma certa altura da vida, recordar é também perceber que estamos mais velhos (logo, mais perto do fim) e que aquele momento que acabámos de recordar é irrepetível, não pela sua singularidade, mas porque nos faltam capacidades físicas e/ou psicológicas para o conseguir repetir. Queríamos mais. Mais vida, como pediu Roy ao seu construtor. Mas não é possível. E isto faz-nos morrer um pouco.

Para quem esteja num processo de perda de memória, esta parte inconveniente, omitida na frase «recordar é viver», torna-se irrelevante, perante a perda progressiva de identidade. Imagino o que uma pessoa nestas circunstâncias, e que tenha consciência do que está a acontecer, não daria por mais tempo de memória, nem que fosse para morrer um pouco ao recordar a seguir. É mesmo assim: queremos o que não temos e, por vezes, só damos valor ao que temos quando estamos prestes a perdê-lo (ou já o perdemos).

Quem, por outro lado, tem ainda o privilégio de se lembrar (e a expectativa de continuar a lembrar-se) das coisas, está pouco preocupado com o tempo das recordações. Escreve e reescreve a sua vida, pois tem todo o tempo do mundo para o fazer. Ou, pelo menos, assim parece.

Mas não é. E mais cedo do que tarde acabamos a procurar compensar, recorrendo a eufemismos e meias-verdades, a dura realidade de estarmos mais velhos. Eu disse velhos? - Velhos são os trapos! - Queria dizer maduros, experientes e sábios...

Ficam algumas imagens que vale a pena recordar, ao som da excelente banda sonora do filme.