quinta-feira, 3 de junho de 2010
O anão
- Vem a meus braços, infiel! - acudiu, tolerante, a Santa, sua esposa.
- Bem me comeu a cabeça, aquela puta e os seus implantes de dois
quilos (cada)! Devia haver uma lei que protegesse os fracos e oprimidos
de tais tentações.
- Penses mais nisso, homem. Bem sabes que tenho o coração do tamanho
do mundo!
E pregou o nariz do arrependido marido entre as pernas, suspirando
três cândidos «Ohh... Virgem Santíssima!» - era o sinal.
Atento, o outro (que nada tinha que ver com esta cena de sagrados
laços matrimoniais) saiu sorrateiramente da gaveta da lingerie,
com a pudicícia ainda a pingar-lhe da tromba, e escapuliu-se
pelo buraco da fechadura.
- Bem me comeu a cabeça, aquela puta e os seus implantes de dois
quilos (cada)! Devia haver uma lei que protegesse os fracos e oprimidos
de tais tentações.
- Penses mais nisso, homem. Bem sabes que tenho o coração do tamanho
do mundo!
E pregou o nariz do arrependido marido entre as pernas, suspirando
três cândidos «Ohh... Virgem Santíssima!» - era o sinal.
Atento, o outro (que nada tinha que ver com esta cena de sagrados
laços matrimoniais) saiu sorrateiramente da gaveta da lingerie,
com a pudicícia ainda a pingar-lhe da tromba, e escapuliu-se
pelo buraco da fechadura.
terça-feira, 1 de junho de 2010
De la musique - Neil Young & Crazy Horse
Estou apaixonado por esta música.
Tema: Cortez the Killer
Intérprete: Neil Young & Crazy Horse
Álbum: Zuma (1975)
Tema: Cortez the Killer
Intérprete: Neil Young & Crazy Horse
Álbum: Zuma (1975)
domingo, 30 de maio de 2010
Casamento
Cenário: domingo de sol pardacento porta da igreja
alguém espreita ouvem-se vozes aos repelões num
tropel de corpos que se marcam passos cruzados rostos
decorados (quantas ausências em seus bolsos?) deixar
deixar passar entre(cena) trôpegos aromas chanel
promessas e lágrimas de crocodilo o sôfrego
ardor paregórico dos amantes não não descubram ainda o
virgem véu da noiva que com passinhos de dança sobe ao
altar nem arranquem dos vitrais os corações esmagados uni-
dos para sempre beijo e fotografia pratos
finos lua-de-mel à sobremesa abraço forte parabéns
e lá vai a sementeira...
Cenário: domingo de sol pardacento, porta da igreja
e a guilhotina nos olhos antecipando o texto.
alguém espreita ouvem-se vozes aos repelões num
tropel de corpos que se marcam passos cruzados rostos
decorados (quantas ausências em seus bolsos?) deixar
deixar passar entre(cena) trôpegos aromas chanel
promessas e lágrimas de crocodilo o sôfrego
ardor paregórico dos amantes não não descubram ainda o
virgem véu da noiva que com passinhos de dança sobe ao
altar nem arranquem dos vitrais os corações esmagados uni-
dos para sempre beijo e fotografia pratos
finos lua-de-mel à sobremesa abraço forte parabéns
e lá vai a sementeira...
Cenário: domingo de sol pardacento, porta da igreja
e a guilhotina nos olhos antecipando o texto.
sexta-feira, 28 de maio de 2010
It's a beautiful day
A praia está deserta.
O cinzento cobre o céu, num ameaço de chuva.
O mar, despreocupado, vai trazendo a espuma até a areia,
apagando o rasto das memórias que por aqui se têm deitado.
A Alannis Morrisette lá se vai entretendo a cantar histórias
que se perdem no quebrar das ondas.
Faço de toda esta extensão de vento livre
o adoçante do café que saboreio lentamente.
A atmosfera é perfeita e começo a imaginar-te:
slow-motion, abrindo a água, cabelos soltos,
sorris para o céu de olhos fechados.
Como é perfeito o teu corpo!
Até o sol espreita, por instantes, cobrindo-o de brilho,
realçando formas redondas, que despontam como se a luz te excitasse.
Engulo em seco, peço um compal - light, pois claro -
e bebo-te demoradamente, deixo que percorras todo o meu corpo.
Mas quero sentir-te ainda mais perto; então, sigo-te os movimentos,
cerro os olhos, inclino-me para trás e... zás, cá estás. (Simples, não?)
Pedes-me um cigarro, acedo prontamente.
Acendo-te, quero-te em brasa - já que não há sol, que me aqueças tu.
Envio-te o meu olhar fatal... bem... pelo menos resulta,
já que, num estalar de dedos, rebolamos pela areia,
humedecida por aromas e segredos desvendados.
Os teus lábios mordem-me a orelha e murmuram:
"são trezentos escudos"... "trezentos escudos, por favor".
Trezentos escudos?! Essa agora?! Abro os olhos
(é a empregada da esplanada e, ao que parece, terminou o turno).
Nem sei se me zangue ou se me renda de novo ao seu encanto...
Enfim, pago. E, enquanto me despeço da praia deserta,
vou ouvindo a música que fica para trás:
"It's a beautiful day" - diz o Bono.
Sorrio.
ps - Trezentos escudos? Já lá vão uns anitos...
O cinzento cobre o céu, num ameaço de chuva.
O mar, despreocupado, vai trazendo a espuma até a areia,
apagando o rasto das memórias que por aqui se têm deitado.
A Alannis Morrisette lá se vai entretendo a cantar histórias
que se perdem no quebrar das ondas.
Faço de toda esta extensão de vento livre
o adoçante do café que saboreio lentamente.
A atmosfera é perfeita e começo a imaginar-te:
slow-motion, abrindo a água, cabelos soltos,
sorris para o céu de olhos fechados.
Como é perfeito o teu corpo!
Até o sol espreita, por instantes, cobrindo-o de brilho,
realçando formas redondas, que despontam como se a luz te excitasse.
Engulo em seco, peço um compal - light, pois claro -
e bebo-te demoradamente, deixo que percorras todo o meu corpo.
Mas quero sentir-te ainda mais perto; então, sigo-te os movimentos,
cerro os olhos, inclino-me para trás e... zás, cá estás. (Simples, não?)
Pedes-me um cigarro, acedo prontamente.
Acendo-te, quero-te em brasa - já que não há sol, que me aqueças tu.
Envio-te o meu olhar fatal... bem... pelo menos resulta,
já que, num estalar de dedos, rebolamos pela areia,
humedecida por aromas e segredos desvendados.
Os teus lábios mordem-me a orelha e murmuram:
"são trezentos escudos"... "trezentos escudos, por favor".
Trezentos escudos?! Essa agora?! Abro os olhos
(é a empregada da esplanada e, ao que parece, terminou o turno).
Nem sei se me zangue ou se me renda de novo ao seu encanto...
Enfim, pago. E, enquanto me despeço da praia deserta,
vou ouvindo a música que fica para trás:
"It's a beautiful day" - diz o Bono.
Sorrio.
ps - Trezentos escudos? Já lá vão uns anitos...
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