sexta-feira, 28 de maio de 2010

Doces momentos

Por entre os desejos ocultos
Vagueiam os meus pensamentos.
De entre as sombras dos vultos
Ressurgem os doces momentos.

Estendo as mãos, sinto o papel,
Percorro o teu corpo de mel.
Saboreio o néctar divino,
Saem palavras sem tino.

Enrolam-se os corpos no chão,
Os beijos procuram guarida.
Ergue-se a voz do coração,
Desenham-se formas de vida.

Escorrego sobre o teu leito,
Bebo um trago do teu peito.
Deixo guiar-me o instinto,
Sacio o menino faminto.

Fecham-se os olhos ao mundo,
Abrem-se as portas do amor.
Solta-se o êxtase profundo,
Entre gemidos de ardor.

Fixo os meus olhos nos teus,
Sei que eles lêem os meus.
Um só plano, um só desejo:
A paz de um último beijo.

De entre os desejos ocultos,
Regressam os meus pensamentos.
Por entre as sombras dos vultos,
Se perdem os doces momentos.

De la musique - Red House Painters



Tema: 24
Intérprete: Red House Painters
Álbum: Down Colorful Hill (1992)

Os beijos são versos

Os beijos são vozes que vagueiam pela praia,
feitas de vento e de memória.
Trazem nas mãos a dança dos lábios,
o prazer da uva, o travo do sal.
Tremem como pálpebras, perante o sol,
caem como a noite
e regressam com as primeiras ondas da manhã.
Os beijos são versos.

Bom dia

Dia de beijos. Do tempo em que a vida era uma criança.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

De la musique - Radiohead



Tema: House of Cards
Intérprete: Radiohead
Álbum: In Rainbows (2007)

De la musique - Mazzy Star



Tema: Fade Into You
Intérprete: Mazzy Star
Álbum: So Tonight That I Might See (1993)

segunda-feira, 24 de maio de 2010

É nos olhos que tudo se altera

É nos olhos que tudo se altera.
Pequenas coisas, factos cronologicamente irrelevantes,
como diria a racional lógica matemática.
Mas a verdade é que sinto falta delas.
Porquê? Não sei, é irracional.
Que falta podem fazer a um homem pequenos factos irrelevantes?
Mas, nessa altura, não era relevante se pequenas coisas eram relevantes.
Todo o tempo do mundo, todo o tempo do mundo, todo o tempo do mundo
para construir pequenos factos irrelevantes.
Nessa altura, não escrevia versos.
Mas escrevia torto por linhas direitas.
E era irrelevante se isto faz algum sentido, hoje.
Hoje, o Douro traz-me tudo aos pedaços.
A sua voz sóbria já não me canta verdes planos preenchidos.
A sua medida certa diz-me que já não tenho todo o tempo do mundo.
Mais racional do que isto só mesmo perceber isto.
Mas é nos olhos que o tudo se altera.
E escrevo, em forma de verso que não rima,
a fórmula matemática da infelicidade.

Bom dia

Hoje, passei pelo rio Douro e lembrei-me de algo que escrevi. Pouco depois, chegado a casa, li um texto no .Mental Break. que me lembrou a minha passagem pelo Douro, antes de chegar a casa e ler um texto no .Mental Break.. Há coisas que, por mais voltas que dermos, não mudam.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

De la musique - Why?

Algo que conheci hoje.



Tema: Good Friday
Intérprete: Why?
Álbum: Alopecia (2007)

Ausência (III)

Porque tudo se resume a essa palavra, guardo-a
como a mais fiel companheira. Até nas noites em que me perco
na multidão e no alarde súbito dos bares, a transporto comigo
em qualquer bolso. O seu rebordo é nítido como a chama de um
cigarro entre dois copos de whisky, e dúbio como um sorriso
atordoado qualquer que se oferece ao primeiro olhar indiscreto.
Então, prendo-a nos meus braços e possuo-a pelas paredes
do beco mais próximo. Regresso a casa para a insónia habitual
e estendo-a na cama a meu lado. Não há cenas de ciúmes, nem
perguntas pertinentemente idiotas; apenas e só
o ressonar da ausência, que me impede de dormir.